Cadê meu carnaval?
Um pet-nat francês elaborado por um casal franco-brasileiro com sabor de folia, um bloco de Carnaval em homenagem ao vinho e os espumantes liderando o consumo das festas
Suzana Barelli
Cadê meu carnaval, assim cantou Geraldo Azevedo, em uma música que hoje batiza um pet-nat, aquele espumante que nasce de uma única fermentação na garrafa. Elaborado na França pelo casal Antoine Le Court-Chedevergne, ele um enólogo francês, e por Julia Naar, ela uma tradutora carioca, o vinho tem no seu rótulo a inspiração para os foliões, em um desenho da artista plástica brasileira Flávia Mielnik.
E, sim, suas notas de frutas vermelhas frescas, sua boa acidez e suas pequenas borbulhas sugerem que o vinho pode combinar com a folia de carnaval. Mas é para os amantes do vinho natural, filosofia que Antoine e Julia defendem com afinco. Hoje uma família, os dois se conheceram no Brasil, quando Antoine viajava pela América Latina elaborando vinhos. Logo se apaixonaram e partiram para um projeto conjunto no Jura, no leste da França, em direção aos Alpes. Em Les-Planches-près-Arbois, um pequeno vilarejo local, compraram uma casa do século 18, reformaram a propriedade que se transformou em um misto de residência, vinícola e pousada, batizada de Casa Antolià, e tiveram duas filhas.
Decidiram batizar os seus vinhos com nomes de música que gostam. No Cadê meu carnaval, que é importado pela Barbagianni para o Brasil e vendido por R$ 273, o vinho nasce de uma mescla de uvas - chardonnay, colombard, bourboulenc, cinsault e mourvedre – e de vinhedos cultivados no Languedoc, na Provence e, claro, no Jura. Em uma proposta alternativa, o casal elabora vinhos com uvas de diferentes regiões francesas, mas sempre cultivadas com a filosofia de cultivo orgânico. Antoine compra uvas de amigos em diversas regiões francesas e tem também 1 hectare de vinhedo ao lado da sua propriedade. A diversidade de uvas os obrigada a classificar o pet-nat de Vin de France e traz também o toque mais descontraído quando se pensa em vinhos para o Carnaval.
Até porque provavelmente devem ser poucos os consumidores que pensam no vinho como primeira opção de bebida alcoólica nestes dias de folia. Primeiro por uma questão de praticidade: como sambar com uma garrafa ou uma taça na mão? Quase impossível. Mas o vinho – e os espumantes – vem encontrando o seu caminho. Um exemplo foi o bloco Balaco Baco, que desfilou no bairro paulistano do Itaim no sábado que antecede o carnaval. Ao lado do carro de som e de um cantor fantasiado do deus pagão Baco, pequenos carrinhos semelhantes aos que vendem sorvete na praia forneciam os vinhos para os foliões, servidos em taças de acrílico. “Estamos criando novas ocasiões para o consumo de vinho”, conta Pedro Melo, sócio da vinícola Cerro de Pedra, um dos patrocinadores da folia. Melo gostou do resultado – mesmo com a chuva, no cálculo dos organizadores, 400 foliões apostaram no abadá, que dava direito à taça de acrílico e ao open bar nas duas primeiras horas do bloco.
Melo entrou no projeto para lançar a sua nova linha de vinhos, agora com um perfil mais simples e pensado para a venda em supermercados – custa ao redor de R$ 79 no varejo para o consumidor final. Estes vinhos, brancos e tintos, são elaborados na proposta de uma bebida mais leve e frutada, o que harmoniza com os dias mais quentes e a animação carnavalesca. Na prova atrás do trio, os brancos combinavam mais com a folia, deixando o tinto em segundo plano.
A explicação, aqui, está no maior frescor dos brancos, com boa acidez para refrescar. E os taninos dos tintos pedem outras ocasiões de consumo.
É essa procura pelo frescor, aliás, que pode explicar porque os espumantes são, entre as bebidas derivadas da uva, a mais procurada pelos consumidores para o Carnaval. Ao menos esse é o resultado de uma pesquisa do Radar Scantech na folia do ano passado. Este instituto de pesquisa com foco no varejo montou uma “cesta carnaval” e tabulou a venda destes produtos no período do Carnaval do ano passado, comparado com os mesmos dias de folia de 2024. Pelos dados, a procura pelos espumantes cresceu 21% entre estes dois períodos. Está certo que a amostra é pequena: os espumantes correspondiam, em 2024 a 4,3% da procura por bebidas alcoólica na cesta e chegaram a 5% no ano seguinte. Mas mostra que as borbulhas estão presentes em todas as festas.
OS VINHOS DO GUIA
Para a folia do Carnaval
Cerro de Pedra Chardonnay Jovem 2025
Localizada na região da Campanha Gaúcha, a poucos quilômetros da divisa com o Uruguai, a vinícola Cerro de Pedra elaborou este chardonnay leve e fresco sem passagem por madeira. Os aromas sugerem cítricos e flores. Em boca, tem boa intensidade, um toque de limão, acidez afiada e fruta fresca abundante. Para beber jovem.
Aurora Pinto Bandeira Extra Brut
Espumante produzido pelo método tradicional em Pinto Bandeira, primeira denominação de origem de espumantes do Brasil. O nariz mostra notas de fermentação e tostados, acompanhado de frutas brancas como maçã e pêssego, que se confirmam no paladar fresco, cremoso e com acidez marcante.
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